Plantio de cereais ajuda pecuarista a recuperar áreas degradadas

06 de novembro 2020

Degradação natural do solo em termos químicos é facilmente corrigida com a devida aplicação de calcário

Foto: Divulgação

O solo será cada vez mais um importante fator para a produção de carne bovina. Pelo menos três ações, segundo a Embrapa, devem ser fundamentais ao longo dos próximos 20 anos. Uma delas será a recuperação de pastos degradados.

Outra tendência é a de maior número de cabeças de gado sem ampliação das áreas de pastagem. Daí a recuperação se mostra importante em estados como São Paulo, onde há pouco espaço para a criação extensiva.

Completa o tripé de tendências a busca por forrageiras mais produtivas, que exigem solo com manejo eficiente. Por isso o uso do calcário se mostra importante.

2ª cadeia

O cenário ganha ainda mais força em razão de dados que a Secretaria de Estado da Agricultura informou, em live no final de setembro. A carne bovina já é a segunda maior cadeia produtiva do agronegócio paulista. Ultrapassou a da laranja, e fica atrás apenas da cana-de-açúcar.

No Brasil, 10% dos abates ocorrem em São Paulo, segundo dados de 2019. O valor bruto do segmento no estado movimentou cerca de R$ 10 bilhões no período. As empresas paulistas são a segunda maior exportadora de carne congelada do país e a terceira maior de gado vivo.

Há aproximadamente 1 milhão de hectares em pastagens degradadas no estado que podem ser usadas como áreas agricultáveis, sem contar as áreas onde não foi mais possível o plantio de cana-de-açúcar em função da declividade para colheita mecanizada da cana.

“A cultura de bovinos em regime extensivo já não é mais a vocação do estado. Porém, vamos bem na cultura intensivista”, afirma João Bellato Júnior, presidente do Sindicato das Indústrias de Calcário e Derivados para Uso Agrícola do Estado de São Paulo (Sindical).

Preços no mercado

O recorte atual é feito por Bellato. “Neste período com elevação significativa do preço dos alimentos, seria um bom momento de o produtor rural incrementar o uso destas áreas degradadas com o plantio de cereais. A degradação natural do solo em termos químicos é facilmente corrigida com a devida aplicação de calcário”, revela Bellato.

O fornecimento ao pecuarista não se mostra um empecilho. “Há grande oferta de calcário no estado, por meio das associadas do Sindical. São Paulo apresenta uma logística invejável com sua infraestrutura rodoviária, e este fator pode acrescer valor aos cereais, beneficiando o agricultor paulista”, avalia.

Conforme já contamos no site do Sindical, estudos mostram que a erosão afetou 20% dos solos paulistas cultiváveis. Os dados são de 2019, ano em que o consumo paulista de calcário ficou em 5,3 milhões de toneladas, a maioria voltada à correção com finalidade agrícola.

Especialistas estimam que a quantidade aplicada do corretivo deveria ser de pelo menos 10 milhões. Porém, ainda há tempo. A correção da acidez tem dialogado cada vez mais com a tecnologia, que, no caso da pecuária, tem sido fator importante no ganho de produtividade no peso do animal – e, portanto, na lucratividade.

Ao lado da calagem, a integração da pecuária com a agricultura também ampliou o espaço nesse cenário, quando se busca melhor desempenho na produção de carne. Porém, o produtor necessita de apoio técnico, segundo Bellato. Dados como estágio e origem da degradação, tipo de solo e custos de recuperação serão levantados ao longo dessa análise.

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