Custos em alta: ameaça ao país

29 de outubro 2020

Renato Hachich Maluf

Foto: Divulgação

A economia do País vem sofrendo atropelos, como a alta de preços e a falta de mercadorias em algumas áreas. Com a construção civil não é diferente, e alguns insumos como cimento foram majorados em mais de 50% nos últimos 120 dias, além de estar em falta no mercado.

Com o aço, a situação parece pior, pois, além de falta, há reajuste de até 80%. Produtos cerâmicos também tiveram reajustes significativos e a produção não tem conseguido atender a demanda.

As explicações são diversas e até contraditórias, alguns dizendo que, por conta da pandemia, com pessoas ficando em casa, estas realizaram pequenos reparos e utilizaram materiais de construção. Outra vertente crê que, com a valorização do dólar, é mais vantajoso exportar do que abastecer o mercado interno, que, se quiser, tem de pagar maior preço.

Coloca-se a culpa também na redução da produção no início da pandemia e que, agora, está difícil acompanhar a demanda. Tentam explicar também que, com o auxílio emergencial, parte das pessoas de baixa renda que recolhiam material para reciclagem nas ruas e nas empresas deixaram de fazê-lo, gerando falta de matéria-prima.

O fato é que as fábricas de cimento e de aço estão concentradas em poucos grupos empresariais e que agem com avidez ao lucro que não tiveram nos últimos anos.

O preocupante nisso tudo ocorre com os contratos de obras em andamento, que apresentam valores já fixados e praticamente impossíveis de cumprir.

Cada obra é um caso mas, na média, tem-se nos custos 65% de materiais e 35% de mão-de-obra, sugerindo que, com aumentos absurdos dos materiais, as construtoras terão prejuízo na continuidade dos trabalhos, o que pode gerar uma situação de desemprego sem precedentes.

Representamos a entidade empresarial que reúne oito segmentos da Construção em Limeira. No SINCAF, os associados atuam da construção pesada, que faz um viaduto, aos prestadores de serviços em residências.

Como uma das características principais dessas empresas, está a geração de emprego. É um dos segmentos que mais absorvem profissionais no primeiro emprego ou com qualificação reduzida, importante função social perante Limeira e o país. Eventuais impactos negativos afetariam outros setores, como o consumo no comércio e na prestação de serviços.

Esperamos que as autoridades e os grandes empresários encontrem um denominador comum que possa reverter essa situação que, a meu ver, está prestes a ficar calamitosa. Torcemos pela volta à normalidade.

Renato Hachich Maluf

Engenheiro e Presidente do Sindicato Patronal das Indústrias da Construção de Limeira (SINCAF)

Voltar