Recorde no consumo: solo corrigido ajuda na produtividade de etanol

07 de fevereiro 2020

Aplicando corretivos como o calcário, usinas e produtores agrícolas conseguem melhor resultado

Foto: Divulgação

A importância da correção da acidez do solo vem à tona novamente. Dados governamentais compilados pela indústria da cana apontam que o etanol registrou consumo recorde no Brasil no ano passado. Em relação a 2018, a alta na utilização chegou a 10,5%.

Aplicando corretivos como o calcário, usinas e produtores agrícolas conseguem melhor resultado. "Parabenizamos a indústria da cana, que é uma das nossas principais clientes. Os resultados são significativos e comprovam a tendência da necessidade de o setor sucro alcooleiro buscar por aumento de produtividade. Nesse sentido, a correção do solo é de suma importância", afirma João Bellato Júnior, presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Calcário Agrícola (Abracal).

Independente do tipo de cultura, o uso do calcário ainda está abaixo do necessário. Hoje, o país utiliza cerca de 40 milhões de toneladas anuais. O mínimo ideal deveria ser de 80 milhões.

O recorde histórico veio com o consumo, no ano passado, de 32,8 bilhões de litros de etanol. Os motoristas utilizaram 3,1 bilhões de litros a mais do que em 2018.

Menos gases

Os dados divulgados pela União da Indústria de Cana-de-Açúcar (UNICA), a partir de levantamento da Agência Nacional do Petróleo (ANP), citam que o consumo de etanol hidratado chegou a 22,5 bilhões de litros no ano passado, alta de 16,3% na compração. Os demais 10,3 bilhões de litros estão na conta do etanol anidro, aditivado à gasolina.

A Unica lembra que, na comparação com a gasolina, o etanol de cana emite 90% menos gases de efeito estufa. O cenário externo favorável às vendas de biocombustível possibilitou que a utilização do etanol hidratado e anidro na frota de veículos de passeio e de carga leve chegou a 48,3% do total, a maior desde 2009 no Brasil.

O etanol foi responsável por abastecer mais da metade da matriz de transportes leves em Mato Grosso, Paraná, Minas Gerais, Goiás e São Paulo. Nesses estados, a média foi de 2,1 litros de etanol a cada litro de gasolina pura vendida.

"Estamos registrando uma mudança de preferência do consumidor, mas precisamos ampliar a consciência sobre as vantagens do etanol, que além de ter um preço vantajoso em muitos estados, traz sustentabilidade socioeconômica e ambiental para o país", avalia Antonio de Padua Rodrigues, diretor técnico da UNICA, por meio de nota enviada pela entidade.

Economia mensal

No último ano, em média 60% do preço do hidratado e 12% do preço da gasolina pago pelos consumidores chega aos produtores. Tributos, frete e margens de comercialização completam o valor.

Em vinte estados houve recorde de consumo histórico, com ênfase para os quatro principais centros produtores e consumidores: São Paulo, Minas Gerais, Paraná e Goiás. Perto de 70% do consumo ocorreu nesses estados.

Também tiveram recorde de consumo: Alagoas, Ceará, Maranhão, Paraíba, Piauí, Rio Grande do Norte, Sergipe, Acre, Amazonas, Amapá, Pará, Roraima, Distrito Federal e Espírito Santo. Já a Bahia, com 1,14 bilhão de litros, teve o maior consumo da região Norte-Nordeste.

A Unica estima que um proprietário de carro flex que colocava 200 litros de combustível por mês obteve, no ano passado, uma economia de R$ 300 mensalmente ao optar pelo uso do etanol.

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