Calcário aprimora Agricultura de Precisão, diz especialista

26 de julho 2019

Correção da acidez do solo impacta diretamente nos resultados

Foto: Divulgação

A Agricultura de Precisão está trazendo inovações, ao mesmo tempo em que abre espaço para rever questões como a aplicação de calcário na agricultura brasileira. A opinião é do engenheiro agrônomo Alan Costa. 

Doutor em Ciência do Solo pela Universidade de Santa Maria (RS), Costa avalia que, junto com questões como robótica e inteligência artificial, a correção da acidez das fazendas e pastagens brasileiras terá papel fundamental. E fixa uma das metas: 100 sacos de soja por hectare como produtividade. 

“O calcário foi o carro-chefe da expansão da Agricultura de Precisão no passado. Inicialmente, algumas empresas, baseado apenas na Academia, avaliavam que a quantidade aplicada poderia ser menor, buscando a redução de custo. Outras empresas, mais técnicas, logo observaram que as quantidades recomendadas estavam subestimadas e que, pelo contrário, deveriam ser aumentadas para garantir bons tetos produtivos”, conta Alan Costa. 

“Hoje, o calcário aplicado a taxa variável é um dos principais benefícios de um projeto inicial de Agricultura de Precisão. Algumas vezes, apresenta demanda maior; em outras, menor, mas, na média geral, sempre colocamos mais calcário e no lugar certo”, relata. 

A empresa Drakkar, presidida por Costa, apresentou recentemente a publicação “Agricultura de Precisão em Foco”. Anual, a publicação traz um artigo, sob o título “Conexão entre o passado e o presente: a importância do calcário na atualidade”. 

Leia a íntegra do texto. 

“A demanda por alimentos continua em expansão, principalmente por técnicas que consumam menos recursos e sejam mais eficientes. Assim, a “tempestade” de novas tecnologias continuará a “assolar” os produtores rurais nos próximos anos. Estamos apenas começando a Revolução Digital no campo, com o movimento de digitalização da agricultura, e já se cogita quais serão as novas grandes tecnologias a chegarem ao mercado nos próximos anos. Sem dúvida, a adoção da IoT (Internet das Coisas) será rápida e promete acelerar a chegada da robótica ao campo em 2030. 

A inteligência artificial precisa de dados e a robótica vai utilizar dessa inteligência para operar. Serão tecnologias concomitantes. Entretanto, não podemos esquecer de que as plantas são seres biológicos, com necessidades básicas. Assim, o Agrônomo do Futuro certamente terá um papel relevante nas tomadas de decisão sobre quando e qual botão apertar ou como programar as funções de execução. 

O debate da quantidade do uso do calcário ocorrido em 1965, e que 50 anos depois volta, mostra claramente como não podemos perder a conexão entre o passado e o presente. Com o grande problema da erosão dos anos 70 e 80, as pesquisas voltaram-se para o desenvolvimento do Sistema da Plantio Direto e o uso deste corretivo foi drasticamente reduzido a meia dose e pH 5,5 (considerado suficiente). Isso baseado em uma teoria que o não desenvolvimento do solo levaria a uma estabilidade/redução da demanda, sem prever o aumento do potencial produtivo. Hoje, com o uso de técnicas de Agricultura de Precisão (AP), se sabe que essa redução prejudicou o avanço dos tetos de produtividade de soja, pois houve uma significativa melhoria em genética, semeadura e manejo, exigindo solos com maior estabilidade e uniformidade do pH e seus coadjuvantes (Ca e Mg). Hoje, resultados temporais permitiram-nos ajustar essas falhas e rumar em direção aos 100 sacos de soja”.

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