Dia da Mulher: oito cantoras e suas visões sobre comunicação

08 de março 2019

Foto: Divulgação

Diretor da ProImprensa Comunicação, jornalista Adalberto Mansur aproveita o Dia Internacional da Mulher para mostrar a relação de oito cantoras brasileiras com a comunicação. O tema sempre se faz presente, de uma forma direta ou em abordagens sutis.

Mansur cita que há outras referências musicais que abordaram temas como jornais, rádios, revistas, TVs e cinema. Mas, como toda lista, as possibilidades apenas se iniciam.

Os conteúdos citados estão nas redes sociais e nas plataformas musicais.

Rita Lee

Sua biografia é uma das mais interessantes de ser lida. Até pelo posicionamento diante de polêmicas, das quais ela não foge.

O convite básico seria ouvir “Pagu” (“nem toda brasileira é bunda”). Mas “Miss Brasil 2000”, escrita em 1978, aborda costumes e tradições, bem antes de o tema gerar tanta polêmica nas redes sociais.

Elza Soares

A BBC cravou: “uma das mais importantes cantoras do mundo”. No ano que vem, será tema do enredo da escola de samba Mocidade Independente de Padre Miguel. Na biografia, a vida musical também abre espaço para uma união atribulada com o craque da bola Garrincha.

Sua lista de sucessos é enorme. Das mais antigas, vale “Se acaso você chegasse”.

Elza guarda um fato marcante. Sua primeira aparição foi no show de rádio de Ary Barroso. Uns dizem que ela foi com uma roupa da mãe, bem mais encorpada que ela. Outros que era da patroa, nos tempos de Elza empregada doméstica. Só se sabe que a plateia, naquele ano de 1953, riu ao vê-la com a vestimenta improvisada.

“De que planeta você veio, minha filha?”, brincou Ary. “Do planeta fome”, disparou Elza.

Elis Regina

Uma das vozes mais marcantes da MPB, também viveu uma vida agitada. Elis, que nos deixou cedo, flertou com a comunicação, quando foi apresentadora de TV.

A sugestão é ouvir “Alô, alô, marciano!”, que retratava muito das notícias da época em que a canção foi escrita, no final da década de 1970, por Rita Lee e Roberto de Carvalho.

Maria Betânia

Atriz e cantora, a baiana, irmã de Caetano Veloso, gravou “Ronda”, que fala da vida noturna de São Paulo. Também aborda o período em que os jornais apresentavam várias edições, nas quais ia atualizando os temas – e até mudando manchetes.

A música é de Paulo Vanzolini e ganhou a voz de várias cantoras. Bethânia é uma delas.

Pitty

A roqueira baiana lançou-se para o mundo artístico com o álbum “Admirável Chip Novo”. A música que dá título ao trabalho, lançado no início dos anos 2000, aborda a questão do mundo padronizado, inclusive no consumo de informações.

Várias faixas do mesmo trabalho, como “Teto de Vidro”, entram na crítica aos padrões sociais.

Alcione

Era para ser professora, mas optou pela carreira musical. Hoje, a maranhense consegue ter um trabalho que está longe de restrições quanto a faixa etária, por exemplo.

A fórmula talvez esteja na apresentação de temas que confrontam o machismo, como em “A Loba” -  “Sou mulher capaz de tudo pra te ver feliz, mas também sou de cortar o mal pela raiz, não divido você com ninguém, não nasci pra viver num harém”.

O convite é para ouvir “Rio Antigo”, letra que tem como um dos compositores Chico Anysio, e que fala do tempo dos shows de calouro do Ary Barroso (olha ele de novo!).

Cássia Eller

A morte prematura não apaga a intensidade da vida. Cássia transitou por vários gêneros da música.

Sua interpretação de “Partido Alto”, de Chico Buarque, reflete bem essa mistura.

Carmem Miranda

É dona de uma marcante gravação de “Aquarela do Brasil”, de 1943. Nascida em Portugal, ganhou notoriedade no Brasil e em Hollywood. Foi uma das atrizes mais bem pagas nos EUA.

Viveu intensos 46 anos. Conheceu a fama disseminada pelos jornais, mas também as polêmicas – como relata em “Disseram que eu voltei americanizada”, numa clara referência às críticas a alguns de seus filmes e ao seu comportamento.

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