Abimaq aponta recuperação, mas alerta que custo Brasil ainda põe em risco indústria nacional

01 de agosto 2018

Setor agrícola continua mantendo bons índices

Foto: Divulgação

A indústria de máquinas e equipamentos no Brasil está se recuperando. No primeiro semestre, o setor ampliou sua receita líquida em 4,2% e o consumo subiu 8,3%, na comparação com igual período do ano passado. Os dados foram divulgados neste dia 31 de julho pela Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq).

Porém, o custo Brasil e a insegurança jurídica ainda seguem como um entrave para a retomada plena dos investimentos e a reindustrialização. O avanço registrado em 2018 se deve, em grande parte, às vendas para o mercado internacional. “Nossas associadas faturavam historicamente em torno de 30% com exportações. Hoje, esse índice está perto de 47%”, disse Mário Bernardini, diretor de competitividade da Abimaq.

O otimismo vem do fato de a série histórica de 5 anos no “vermelho” ser quebrada. Câmbio favorável e mercado internacional aquecido explicam a elevação esse ano.

Por outro lado, a indústria brasileira corre riscos. Estudo apresentado pela Abimaq aos presidenciáveis mostra que uma mesma máquina, quando produzida nos Estados Unidos, custa 30% menos que no Brasil.

“Os juros altos, a burocracia e a carga tributária excessiva derrubam nossos esforços por uma indústria mais competitiva”, disse o vice-presidente da Abimaq e empresário na região de Piracicaba, Erfides Bortolazzo Soares.

“Precisamos sim de medidas estruturais, como o ajuste fiscal. Mas isso sozinho não trará crescimento econômico e empregos”, avaliou Bernardini, ao citar sugestões levadas aos presidenciáveis. Bortolazzo diz: “nossa região, pelo ambiente de negócios e a mão-de-obra, ganharia muito com uma política industrial forte, bem definida e desenvolvimentista”.

Junho concentrou a recuperação parcial das perdas registradas em função da greve dos caminhoneiros. Em relação ao mesmo mês do ano anterior, também houve crescimento da receita do setor de 13,1%.

Com este resultado, o primeiro semestre de 2018 encerrou com crescimento na receita de 4,2% em relação ao 1º semestre de 2017, o que leva a Abimaq a prever crescimento ao redor de 7% em 2018.

O temor é que o avanço seja momentâneo. "Esses números poderiam ser muito melhores se houvesse melhor cuidado com a indústria nacional, que gera empregos de qualidade e tecnologia, fixando nossos talentos em nosso país”, afirmou Bortolazzo. “Estamos perdendo milhares de talentos para outros países, por falta de uma política industrial de longo prazo, na qual a indústria seja tratada como um patrimônio nacional, gerador de riquezas e soberania".

Um dos setores que contribui para os resultados este ano é o de máquinas agrícolas. Durante a coletiva, o presidente da Agrishow, Francisco Maturro, informou que a área da feira passará de 1 milhão de metros quadrados no próximo ano.

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